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crônica da semana

 COMPETÊNCIA  x  POLITICAGEM

(07 de AGOSTO de 2006 - Roberto Claro)

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É triste admitir, contudo, nem sempre a competência vence. Muitas vezes, ela perde para a chamada politicagem. Admito que um pouco de política não faz mal a ninguém. Refiro-me à política da boa vizinhança. Mas politicagem é sinônimo de politicaria, de politicalha, de politiquice, de politiquismo. Essa não é recomendável. Mesmo assim, em algumas empresas e circunstâncias, é a politicagem que prevalece sobre a competência.

Nestas ocasiões, quando a politicagem fala mais alto, a sensação que toma conta das pessoas que “torcem” pela competência é de injustiça. É como se uma flecha atingisse em cheio nossos valores, nossa moral, nossa ética profissional.

A ética trabalha com os valores das pessoas. Esses valores irão variar em função da moralidade dos atos de cada um. Enquanto para os competentes a honestidade (dignidade, integridade) é um ponto de honra, para os que adotam a politicagem (malícia, manha) como estilo de atuação, vale mais a esperteza.

Honestidade ou esperteza? Competência ou politicagem? O que vale mais para você?

Alguns dirão que a esperteza não é uma opção, mas uma forma de sobrevivência. Será?

É fato que, muitas vezes, consciente ou inconscientemente, utilizamos a esperteza como uma forma de proteção. Assim, de camada em camada, de pedra em pedra, construímos fachadas (de esperteza, de politicagem) em torno de nós, com objetivo único de nos proteger em relação aos mais espertos.

Conseqüências?

A primeira é simples. Deixamos de dar atenção ao desenvolvimento de nossas competências e habilidades para fazer politicagem. Agrada um daqui, outro acolá. Fala uma coisa ali, outra diferente mais adiante.

A segunda conseqüência é mais complexa. A princípio, nossa intenção se resume apenas a nos proteger do chamado “meio organizacional”. Pensamos que podemos nos sair bem correspondendo a uma imagem de nós mesmos esperada pelo mundo externo, pelo mundo profissional.

Contudo, a construção dessa armadura tem seu preço. Ironicamente, na tentativa de fazer com que os outros acreditem que somos alguém que não somos, acabamos enganando a nós mesmos. Em outras palavras, induzimos a acreditar que somos algo que não somos. Esquecemos de nossas competências, de nossas habilidades, de nossos talentos e acabamos acreditando que a politicagem é o melhor caminho.

Será que vale a pena seguir nesta trilha?

Não importa quanto tempo a esperteza tomou conta de você. Não importa quanto tempo a politicagem tenha disfarçado suas competências, habilidades e talentos. Nossa verdadeira aventura (pessoal, profissional) é fazer valer nossa essência, nossa identidade.

Independentemente de nossa religiosidade, ninguém duvida de que o UNIVERSO trabalha continuamente para nos fazer lembrar nossa identidade e nosso propósito. Se a opção que estamos escolhendo não corresponde à nossa vocação, nosso guia interior não nos deixará seguir adiante.

Sabe aquela sensação de angústia? Aquela impressão de que algo está errado? Já sentiu aquela dor bem lá no fundo? É o nosso GUIA avisando: “Não é este o melhor caminho”.

Portanto, convido você a refletir. Vale a pena escolher pela politicagem? Compensa se dedicar somente por ações consideradas “espertas”? Agindo desta forma, você não está desvalorizando suas virtudes, os seus pontos fortes?

A resposta, claro, está dentro de cada um. A opção de ir por aqui ou por lá, é única e exclusivamente sua. Portanto, cuidado com suas escolhas.

Concorda?

Boa semana. Aguardo, como sempre, seus comentários.

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Abraços,

Roberto Claro  (e-mail: )

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Comentários

(07)  09/agosto - 19h13  CRISTINA SANTOS (BELO HORIZONTE - MG) "Senhores, Boa Tarde. Trabalho numa grande empresa jornalística e vejo sempre a chamada Politicagem em torno de nós na operação, "Política de boa vizinhança" nos confundindo com competência, e muitas vezes, até na certeza de que a ser esperto ou político dá mais certo que ser competente o tempo todo."

(06)  09/agosto - 18h27  SILAS SOUZA (SÃO PAULO - SP) "Gostei muito da crônica desta semana, ela alem de nos orientar, alertar de fatos que ocorrem em nosso dia a dia profissional, nos motiva a pensar melhor sobre o profissional que somos ou queremos ser."

(05)  09/agosto - 17h32  ANA (BRASÍLIA - DF) "Roberto, acho que em todos os meios existam pessoas que agem com politicagem e que jogam sujo, mas acredito na competência, na ética, na consciência. Acredito também que o profissional competente sempre vai ter seu lugar garantido, portanto escolher o caminho "mais fácil" nem sempre é a melhor opção, até porque o mercado de trabalho é extremamente mutante, o que está no poder hoje, pode não estar amanhã. A "política" de boa vizinhança somada à competência é que me parece o mais correto a se fazer."

(04)  09/agosto - 17h21  MÁRCIO OLIVEIRA FARIAS (RIO DE JANEIRO - RJ) "Achei muito interessante essa crônica porque nós mesmos,às vezes,utilizamos um pouco da politicagem até porque em nosso país ainda temos aquela coisa do "jeitinho brasileiro" de resolver certas situações.É válido compreender a mensagem até mesmo porque podemos praticar politicagem involuntariamente no nosso dia a dia e com isso ficar com uma imagem deturpada perante a equipe.Não que isso ocorra constantemente,mas é válido refletir realmente sobre o assunto.Obrigado."

(03)  09/agosto - 16h25  Confidencial (BRASÍLIA - DF) "O que tenho notado é que são raros os lugares hoje em dia que não existe isso, aqui na minha empresa, por exemplo, estou aqui faz quatro anos, e só agora fui para a área de monitoria, pois não havia mais nenhum “queridinho” para ir antes, então tiveram que olhar a competência. Isso não só no meu caso, tivemos outros casos também, mas é como você falou Roberto, temos que deixar nosso “GUIA” interno nos guiar... Meu guia é Deus."

(02)  09/agosto - 16h21  SANDRA CARVALHO (SÃO PAULO - SP) "Roberto, essa crônica tem como tema um assunto muito atual e oportuno. No fundo no fundo, as pessoas que escolhem essa atitude como forma de "se dar bem" sabem muito bem o mal que elas provocam nas pessoas ao seu redor, e muitas vezes começam a agir assim com a própria família, isso se torna um vício terrível. Para nós, que escolhemos trabalho árduo e ética, só nos resta lamentar o convívio com esse tipo de gente e a lamentável forma como alguns gestores admiram essa postura ! No que diz respeito a mim, NUNCA me arrependi de ter escolhido o correto !"

(01)  06/agosto - 21h58  MARIANA S. GRITTO (SÃO PAULO - SP) "SIM, Roberto, concordo. Nossas escolhas definem nossos caminhos. Reclamamos dos políticos e das falcatruas, mas algumas vezes fazemos como eles em nosso ambiente de trabalho. Agradeço a você por este momento de reflexão. obrigada."

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