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crônica da semana

 

liderar é influenciar

(Roberto Claro)

14. agosto. 2006

 

É impressionante o número de mensagens que recebo semanalmente de pessoas relatando que pediram demissão. Basta analisar cada mensagem com mais cuidado para se observar que a grande maioria pede demissão de seus chefes, e não das empresas. Em outras palavras, são profissionais que não mais suportam um gerente ineficiente, um supervisor incompetente ou um coordenador arrogante.

Por que será que isso acontece?

Observo que os gestores, em geral, estão muito preocupados com o planejamento, com o dimensionamento, com os custos, com a solução de problemas, com os controles, com o desenvolvimento de estratégias, enfim, eles estão preocupados com as coisas relacionadas à gerência da operação.

Contudo, observo também que são poucos os gestores que se preocupam (seriamente) em influenciar suas equipes a dar o melhor de si. Por outro lado, sabemos que liderança  está mais próximo de influência do que de gerência.

Logo, pode-se concluir que temos ótimos gestores sob o prisma da gerência, contudo, muitos falham como líderes de suas equipes.

E por que as falhas acontecem?

Primeiro, muitos gestores optam em liderar suas equipes pelo poder de seus cargos e não pela autoridade. Ter poder sobre as pessoas é uma coisa. Ter autoridade com as pessoas é outra, muito diferente. A autoridade deve ser adquirida, conquistada, não há atalhos. Já o poder, sempre fácil de ser utilizado, deteriora os relacionamentos.

Você trabalharia com alguém que utiliza o poder de seu cargo constantemente para conseguir seus objetivos?

As falham também acontecem por causa de uma palavra mágica: confiança.

Conheço muitos supervisores, coordenadores e gerentes que falam em confiança, mas suas ações e convicções revelam o contrário. Sob sua gestão, prevalecem mecanismos excessivos de controles (“15 minutos de intervalo e nem 01 minuto a mais”), regras de trabalho muito rígidas (“dois atrasos é igual a uma advertência”), concentração de informações, isso sem falar das reuniões “secretas”, aquelas feitas no final do dia para falar de alguém que, geralmente, não está presente.

O resultado destas práticas todo mundo já sabe: surgem dentro das equipes as famosas “panelinhas” – aquelas alianças destrutivas entre duas ou mais pessoas que preferem falar das outras, em vez de encontrar solução para os problemas.

Você trabalharia com uma pessoa que não consegue estabelecer uma relação de confiança com sua equipe? Você trabalharia com alguém que confunde "panelinhas" com trabalho em equipe?

Finalmente, as falhas dos gestores acontecem porque muitos ainda não perceberam que liderança não é uma questão de estilo e sim de substância, ou seja, de conteúdo.

Esta substância tem a ver com um conjunto de características que proporciona aos gestores a intenção, a vontade, a coragem e a força para fazer a coisa certa. Contudo, não se trata de fazer qualquer coisa certa. Trata-se de fazer as coisas certas que estejam acima dos interesses pessoais e da satisfação imediata. Em outras palavras, a substância do líder diz respeito a seu caráter.

Resumindo: o gestor falha quando aceita que o poder seja a única forma de conseguir seus objetivos; falha quando não consegue estabelecer um canal de confiança com sua equipe; falha quando acredita que tem estilo de líder, independente de seu conteúdo, de sua substância, ou seja, de seu caráter.

Lembre-se: todo gestor deixa sua marca na equipe. A questão é saber qual marca.

Aliás, será que existe alguém na sua equipe que deseja pedir demissão de você? Espero que não! Afinal, liderar é influenciar positivamente as pessoas.

Concorda?

Boa semana. Aguardo, como sempre, seus comentários.

abraços,

Roberto Claro

Editor Executivo

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