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crônica da semana

 

AS TENTAÇÕES DO PODER

(Roberto Claro)

11. setembro. 2006

 

Qual a pior cegueira? Será que realmente vemos as coisas como elas são...?

Antes de responder a essas questões, convido você a analisar as tentações do poder.

Para começar, já aviso que a obsessão pelo poder tem levado muitos gestores de call center à ruína profissional.

Eu mesmo tenho presenciado este fato em muitos call centers. Isso acontece porque, já na função de gestor, o profissional esquece as virtudes que o colocaram no comando da gestão. Ele se esquece que sua gestão é de “pessoas” e não de URA, CRM, Sistema de Gravação, Controle de Ponto etc.

Quer um exemplo? O relacionamento com a equipe, segredo de qualquer bom gestor, deixa de ser importante, pior, torna-se conflituoso e polêmico.

Também tenho observado que alguns gestores, considerados poderosos em função do organograma, estão se apresentando perante suas equipes não como realmente são, mas através de sua função (gerente, coordenador, supervisor). Em outras palavras, eles usam a posição no organograma como uma espécie de armadura.

Devido a esses e outros motivos é que certos indivíduos se sentem humilhados quando são afastados do poder, pois não tem como negar, o poder é sedutor e vicia.

Por ser sedutor, o poder abre portas, possibilidades de influências e, em alguns casos, muita mordomia. Também é possível notar que, atrás de toda pessoa poderosa, há sempre os bajuladores, proporcionando favores, prazeres, (falsos) elogios etc.

Diante deste cenário, o gestor “poderoso” quer mais. Sua busca passa a ser por mais prestígio, ou seja, por posições ainda mais importantes no organograma, mesmo que para isso, seja necessário um “puxão de tapete” aqui, outra “pisada” na equipe ali. Afinal, ele pensa, “jogue a primeira pedra quem nunca fez isso...

O ciclo é viciante e continua.

Quem está com mais poder, sabe que pode fazer prevalecer ainda mais sua vontade sobre a equipe. Daí, o que passa a valer são suas vontades, e por que não, suas vaidades. Contudo, o “mais poderoso” se esquece de que, quando alguém está no poder, na realidade, ele foi “empossado” para representar um certo número de pessoas.

O ciclo dá mais um passo.

Chega-se ao lado perverso do poder: a solidão. Quantos supervisores, considerados poderosos, têm cada vez menos amigos e estão, a cada dia, mais isolados dentro da sua própria “gestão”? O lado cruel é que eles não conseguem enxergar isso.

Você deve estar pensando: o que seria um call center, cheio de pessoas jovens, elétricas, diferentes, se alguém não usasse do seu poder? E sendo assim, se o poder nestes casos é indispensável, ele é bom ou ruim?

A resposta é simples de escrever e muito difícil de se colocar em prática: depende de como o poder é usado e para quais fins.

Quer um exemplo de mau uso do poder? O gestor que se acha o todo poderoso, geralmente, tem seu discurso muito longe da prática, ou seja, ele fala uma coisa (quando o chefe está presente) e age completamente diferente. Além disso, o todo poderoso sempre está muito distante de sua equipe, principalmente, dos operadores.

Isso porque, uma vez na função de gestor, temos que fazer escolhas. O gestor todo poderoso, geralmente, fica com o mais fácil: os bajuladores.

Recebi um e-mail de uma pessoa de Salvador (BA). Ela conta o cenário confuso que seu call center está passando. Diz também que o poder não muda quem o possui. Ele, sim, revela as pessoas e sua verdadeira personalidade, porque o “poderoso” começa a usar de suas armas (do mal) diante dos outros que o rodeiam.

Pode ser.

O fato é que, o poder, como se percebe, é sedutor e viciante. Por isso, é necessário ter cautela ao exercê-lo, para não provocar os efeitos colaterais, o pior deles, a cegueira.

Agora, podemos responder, juntos, a primeira pergunta pela qual iniciamos a crônica: “Qual a pior cegueira?”

Claro, você já percebeu: a do gestor que se acha “todo poderoso”.

Gestor, abra o olho, gestor.

Boa semana. Aguardo, como sempre, seus comentários.

abraços,

Roberto Claro

Editor Executivo

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