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crônica da semana (12 de Novembro de 2007 - Roberto Claro)
“Para os amigos, tudo! Para os inimigos, o rigor da lei”. A frase acima é um retrato do que acontece hoje no Brasil. Para a nossa tristeza, a frase fortalece a tese de que, para os amigos, sempre há uma brecha na lei que, com um bom advogado, pode significar a impunidade. Para os inimigos, sobra toda a severidade das leis e das punições, multas e até prisões. Apostando na impunidade, há inúmeras empresas de Call Center que, simplesmente, estão ignorando a NR17 (Norma regulamentadora do Ministério do Trabalho). Para você ter uma idéia, recebo inúmeros e-mails com relatos que impressionam. De São Paulo, recebi esta semana uma mensagem de um operador de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Este operador trabalha das 08h00 às 18h00, com direito a duas horas para o almoço. A empresa, multinacional do ramo alimentício, entende que as 60 ligações (conforme informação do operador) que cada operador atende por dia não são suficientes para caracterizar um atendimento de Call Center. O gerente diz que, devido a excessiva carga de trabalho administrativo, a equipe não é formada por operadores, e sim, por auxiliares administrativos. Pergunto: alguém conhece um fiscal do trabalho em São Paulo? Se alguém conhecer, eu estou a procura de um. Outra mensagem chega do Rio de Janeiro. Desta vez, uma supervisora de Call Center. Ela conta que sua equipe trabalhava das 08h00 às 14h00. Depois da implantação da NR17, trabalha das 07h10 às 14h00. São quarenta minutos a mais na jornada. Explicação? Compensar os vinte minutos de intervalo para descanso e mais as duas pausas de dez minutos previstas na NR17. A empresa, apesar de ser prestadora de serviços no segmento de Call Center, entende que a NR17 é prejudicial para a produtividade dos operadores. Por isso, resolveu colocar mais quarenta minutos na jornada de cada atendente, sem qualquer aumento no salário (é claro!). Pergunto: alguém do Rio de Janeiro conhece um fiscal do trabalho? Se alguém conhecer, eu estou a procura de um. Agora a mensagem é de Porto Alegre. Duas atendentes de Call Center. Elas são da mesma empresa. Trabalham com vendas de um grande jornal. A empresa entende que há pausas demais com a NR17. Afinal, são vinte minutos para comer e mais duas pausas de dez minutos. Quem quiser ir ao banheiro, que utilize este tempo. Pergunto: alguém em Porto Alegre conhece um fiscal do trabalho? Se alguém conhecer, eu estou a procura de um. Desanima saber que grandes empresas, algumas multinacionais, outras que compõem a lista das melhores empresas para se trabalhar (Revista Exame), não percebem que, de nada adianta gastar fortunas com propaganda e marketing de seus produtos, se quem está na linha de frente com os Clientes não são valorizados. Desanima saber que empresas do segmento da saúde investem milhões em programas de Medicina Preventiva para seus Clientes, mas quando o assunto é seus atendentes, seus colaboradores, aquelas pessoas que autorizam ou não exames, procedimentos cirúrgicos e outros processos que podem salvar uma vida, a regra que vale é do tempo da escravidão. Desanima saber que empresas prestadoras de serviços no segmento de Call Center, portanto, empresas que deveriam dar o exemplo, interpretam as regras da NR17 da seguinte forma: o que for bom para a empresa, é rapidamente implantando. O que não for, é colocado debaixo do tapete. Pergunto: Cadê os fiscais do trabalho? Na semana passada, numa reunião, estavam presentes o advogado da empresa, eu e a gerente de RH. O advogado diz: “NR17? Não é lei. Não precisa cumprir.” Até pensei em dar uma resposta para o advogado. Não precisou. A gerente de RH diz: “Pode não ser lei, mas as regras são justas. Vamos implantar.” Nesta empresa, venceu o bom senso. Prezado leitor, os fatos desanimam, mas eu não desanimo. Você deveria fazer o mesmo. O setor de Call Center não irá melhorar se ficarmos sentados lamentando. Quando não se pode vencer pelo bom senso, é preciso buscar o rigor da lei. Eu pergunto: alguém conhece algum fiscal do trabalho? Se alguém souber, eu estou a procura de um. Aguardo, como sempre, seus comentários. Abraços, Roberto Claro (e-mail: )
Comentários (01) 11/novembro - 12h11 APARECIDA NÓBREGA DE JESUS (SÃO PAULO - SP) "Roberto, sou de SP. Aqui na minha empresa não se implantou a tal da NR17. Cada atendente trabalha 06 horas por dia, com 30 minutos para almoço e mais 15 minutos para a ginástica laboral. Ou seja, aqui os intervalos são ainda maiores do que determina a NR17. A equipe é muito motivada. Nosso absenteísmo é de 4%. No final do ano, cada atendente irá ganhar o 14o salário. E não paramos. Queremos mais, pois sabemos que a "linha de frente" (como você diz) precisa ser valorizada. Obrigada por suas crônicas."
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