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crônica da semana

 

AUTODEFESA x AUTOCONFIANÇA

(Roberto Claro)

28. ABRIL. 2008

 

Na última crônica abordamos o tema SUPERAÇÃO.

 

Superação é prima-irmã de outra palavrinha mágica: CONFIANÇA. Confiança, por sua vez, vem do latim “com fides”, ou seja, com fé. Podemos concluir que a confiança, portanto, é uma questão de fé. Logo, quem consegue “andar com fé” exercita sua autoconfiança.

 

“Andar com fé”? Somos condicionados a pensar que “andar com fé” pertence única e exclusivamente ao universo da religião. Não é bem assim. Gilberto Gil nos ensina que “andar com fé” tem uma amplitude muito maior. Sua canção diz: “andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá...

 

Em outras palavras, se você consegue “andar com fé” é porque sua autoconfiança está em alta. Como o ciclo é virtuoso, se a sua autoconfiança está em alta, a fé, como diz Gil, “não costuma faiá...

 

O motivo é simples: a autoconfiança, automaticamente, liga o nosso catalisador de energias positivas. Com o catalisador ligado, surge aquela certeza de que tudo vai dar certo, seja na hora de nos atirarmos em uma nova oportunidade de trabalho, ou ainda, seja no momento em que aceitamos um grande desafio.

 

Fácil? Na música sim, na teoria também, mas na vida real, exige esforços.

 

Exige esforços porque manter-se autoconfiante é um exercício constante de coragem (coragem = coração + ação). Isso mesmo. Quando colocamos o coração naquilo que fazemos, somos impulsionados pela fé, pela confiança, conseqüentemente, ultrapassando os bloqueios e obstáculos.

 

O problema é que, mesmo querendo muito aquela oportunidade, mesmo sabendo que somos a pessoa mais preparada para assumir aquele desafio, deixamos nos levar pelas previsões, pelas lógicas e probabilidades (nem sempre realistas). Entre o certo e o incerto, preferimos os pessimistas de plantão.

 

Na verdade, temos medo. Medo da frustração. Medo que alguém perceba que desejamos muito que aquilo aconteça. Medo de nos expor. Com medo, imediatamente, nossa defesa entra em ação. Então, passamos a colocar armaduras e escudos. São muitas armaduras e muitos escudos.

É nossa autodefesa. Passamos, assim, a ver a coisas através das inúmeras armaduras e escudos. A realidade fica torta. Nossa fé balança. Nossa confiança vai por água abaixo. Não temos confiança, não temos fé, não temos coragem. Temos medo. Este é o ciclo vicioso.

 

Para sair desta maré é preciso, em primeiro lugar, manter-se firme sobre seu próprio eixo. Entra em cena nossa capacidade de superação (lembra dela?). Não é qualquer vento que derruba uma árvore com tronco firme. Não é qualquer movimento que desloca alguém que tem os pés no chão. Não é qualquer tempestade que vira o barco daquele que conhece sua principal força: a capacidade de superação.

 

Em segundo lugar, é preciso aprender a reconhecer que não podemos carregar pesos emocionais em excesso. Quem não sabe dizer “não”, acaba carregando o mundo nas costas, ficando curvado, tenso, fechado, incapaz de abrir os braços, encher o peito e confiar em si próprio. Portanto, dizer “não consigo assumir mais esta tarefa” ou, “não posso assumir mais um compromisso”, é uma virtude e não uma demonstração de fraqueza.

 

Em terceiro lugar, é preciso não confundir uma pessoa autoconfiante com aquele otimista que está sempre inflado (pelo próprio ego). Não caia nesta armadilha. Todo mundo percebe quando o ar é artificial. O otimista forçado quer que as coisas dêem certo, custe o que custar (este é o perigo). Já a pessoa autoconfiante, que sabe ”andar com fé”, sente-se seguro, prepara-se física e psicologicamente, treina a mente para atrair coisas positivas e, principalmente, se esforça, se esforça muito.

 

Prezado leitor, se as coisas estão confusas, a realidade meio nebulosa, a visão fora de foco, tente desarmar algumas de suas armaduras, baixar alguns de seus escudos e desligar uma parte de sua autodefesa.

 

Se conseguir, faça mais. Faça como o trapezista: pense em seus objetivos, suba as escadas, chegue ao topo de trapézio, contemple o ambiente, encha o peito e, confiante, dê o salto que pode mudar sua vida. Este é o verdadeiro exercício de autoconfiança.

Aguardo, como sempre, seus comentários.

abraços,

Roberto Claro

Editor Executivo

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