GUIAcallcenter.COM: Como
foi sua trajetória profissional (formação, empresas, experiências)...?
EDISON NUNES (SKY):
Minha
formação é em Engenharia Industrial Mecânica, pelo CEFET-RJ. Tenho também
uma pós-graduação em Engenharia de Segurança pela PUC-RJ e um MBA em
Marketing pela FGV-RJ. Como dá para perceber, sou carioca. Sou casado (3
filhos) e tenho 38 anos.
Minha
vida profissional começou na minha área de formação. Trabalhei por 4 anos
(até 1992) em uma empresa metalúrgica, fabricante de equipamentos pesados
para a indústria. Atuei numa área de Assistência Técnica, o que me ajudo
muito a desenvolver minha veia de serviços.
Nesta
época, o setor industrial já trabalhava com o conceito de Qualidade Total, e
tive a oportunidade de receber treinamentos sobre este assunto, que me
ajudaram na minha transição de carreira.
Em
1992 fui convidado a montar uma área de Qualidade e gerenciar suas
atividades, quando o UNIBANCO 30HORAS montou um site no Rio. Foi meu
primeiro contato com Call Center, pois a área de Qualidade prestava serviços
a outras gerências de Produtos e Serviços dentro da mesma Diretoria.
O Call
Center era meu maior cliente, e boa parte de meu trabalho e de minha equipe
era destinada a este canal. Cuidávamos das monitorias, campanhas
motivacionais e melhorias de processos. Fiz também palestras para um público
interno que crescia a cada mês e era ávida pelo assunto.
Em
1994, ainda no UNIBANCO, fui convidado a assumir a área de Tráfego,
responsável pelo capacity planning, administração do orçamento da unidade e
geração de relatórios. Aí, já dentro do dia-a-dia da vida de um Call Center,
não teve mais volta.
Em
1996 fui para uma operadora de Pager , a CONECTEL, que atuava fortemente nos
mercados de SP e RJ. Fui gerenciar a área de Tráfego e logo depois convidado
para assumir toda a operação de Atendimento. É uma empresa da qual guardo
boas recordações, tanto pelas oportunidades que tive – atuar como gestor de
uma equipe grande de pessoas, um Call Center que chegou a ter 380
colaboradores; e também das pessoas que conheci lá e que acreditaram na
minha capacidade para atuar neste lado.
Acho
que um grande sucesso que alcancei por lá, foi justamente na condução do
trabalho junto a minha equipe, quando conseguimos em 12 meses, apresentar um
ganho de produtividade da ordem de 34% e colocar em outro patamar a taxa de
crescimento da operação na comparação com a taxa de crescimento da empresa.
Fiquei
lá até 1999, quando o mercado de Pager começou a declinar em função da
privatização das operadoras de “Banda A” da telefonia celular e da venda de
licenças para as de “Banda B”.
Neste
período surgiu uma oportunidade de ir para a Vésper (na época o nome ainda
não era esse) e participar ainda da fase de montagem da empresa. Participei
da montagem e da operação, atuando em uma Gerência Sr de Planejamento para
o Call Center, que era responsável por todo o suporte e modelagem
estratégica do principal canal de vendas e relacionamento com clientes que a
empresa tinha. Foram vários projetos e implantações importantes para meu
desenvolvimento profissional, principalmente o de lançamento da empresa. Foi
um MBA impagável!
Fiquei
na Vésper até 2002, quando surgiu um novo desafio na Telefônica Celular
(atuando no RJ e ES).
Na
Telefônica, atuei também em uma Gerência Sr., mas desta vez, de volta ao
Atendimento. Fui responsável pelas operações de atendimento para pessoa
física e pessoa jurídica, e de quebra, ainda tinha na minha estrutura a área
responsável pelo desenvolvimento das ferramentas do Call Center. Lá também
tive projetos interessantes como do desenvolvimento de um canal de
relacionamento para clientes de grandes empresas, que atuava junto ao canal
de vendas corporativo, e a criação do atendimento para clientes com problema
de clonagem de telefone (foi quando este assunto estourou!).
Em
2003, vim para a SKY, atuar na área de Control Desk, responsável pelo
suporte das três operações da Diretoria de Atendimento (Televendas,
Relacionamento e Retenção). Com o trabalho desenvolvido junto com minha
equipe, ampliamos efetivamente o nosso escopo, a ponto de agora estarmos
trocando o nome da área para Planejamento & Suporte de Operações.
Aqui,
novos desafios, novos projetos, alguns em conjunto com as operações, e
outros, como o de BI citado mais abaixo, voltados para ela. Além da
implantação de ferramentas como workforce e preditivo. Acho que ainda dá
para fazer muita coisa aqui!
GUIAcallcenter.COM:
Há uma
preocupação entre os gestores de RH em relação a retenção de talentos,
principalmente àqueles que são considerados "estratégicos" para a empresa.
Qual a sua visão sobre este aspecto...? Quais são os fatores que você
acredita que "realmente" ajudam na retenção...?
EDISON NUNES (SKY):
Acredito
que a retenção seja importante sim, mas não deve ser vista como um ponto de
atenção quando o recurso sinaliza interesse em deixar a empresa como a
maioria das empresas faz. Isto traz um desgaste na relação e o sentimento
que você só parece importante quando os outros (externos) identificam isso.
Mas
também acredito que nenhum recurso é estratégico demais para não ter
substituto. Os gestores, e isto com a ajuda do RH, devem fazer o seu papel e
desenvolver seus recursos, para que não fiquem sem condições de atuar quando
perdem um recurso de maior importância.
A
retenção de recursos passa por fornecer um ambiente competitivo e saudável,
onde as pessoas sintam que os desafios propostos levem ao seu
desenvolvimento e que as ferramentas necessárias para o sucesso
(capacitação, sistemas adequados, feed-back, reconhecimento, etc.) são
aplicadas
GUIAcallcenter.COM:
Outra preocupação geral é sobre o
comportamento dos operadores. Em algumas empresas, já há programas para se
colocar na operação pessoas mais maduras, acima dos 35, 40 anos. Isso faz
com que o ambiente fique mais equilibrado, com a experiência dos mais
maduros e o ímpeto dos mais jovens. Qual a sua opinião a respeito? Você
encontra este problema em sua empresa...?
EDISON NUNES (SKY):
Este
assunto sobre o perfil da força de trabalho não é novo, mas acho que deve
ser analisado também com base no serviço que é ofertado e nas
características de seu público.
Acredito que haja mercado para todas as faixas etárias, mas isto tem que se
alinhar com o posicionamento da empresa e do produto ou serviço oferecido.
Se
você atua em um mercado híbrido, acredito que a convivência seja benéfica,
pois você consegue mesclar sua equipe e extrair o que há de melhor em cada
perfil.
GUIAcallcenter.COM: Em
relação à tecnologia, na sua opinião, qual foi o grande avanço que ocorreu
nesta área nos últimos anos para os call centers...?
EDISON NUNES (SKY): No
campo tecnológico, acho que tivemos muitos avanços. Diversas ferramentas
foram disponibilizadas, de forma a facilitar as atividades de suporte e
gestão principalmente.
Um dos
pontos que acho relevante, principalmente no que diz respeito ao
desenvolvimento das equipes e de acompanhamento da qualidade dos serviços
ofertados, foi o ambiente de gravação digital.
Lembro
da época em que fazíamos isso com fitas k-7, e como era difícil definir um
modelo de guarda que garantisse a rapidez no caso de busca dos registros.
Hoje,
as gravações são feitas e armazenadas em servidores e oferecem codificações
para rápida recuperação. Além do que ocupam um espaço físico infinitamente
menor para serem armazenadas.
Ferramentas de Workforce vieram também para nos ajudar no melhor
balanceamento da força de trabalho, mas não são de fácil aplicação, pois
temos de respeitar as particularidades de cada serviço.
Outro
ponto que acho relevante é de ferramentas que possibilitam enxergar um Call
Center como uma ferramenta para o negócio da empresa, o desenvolvimento de
BI (Business Inteligence). Agregar valor e medir resultados começou a ficar
mais fácil e não precisamos mais nos pautar tanto na qualidade percebida
(que é um conceito válido, mas por ser intangível, serve mais como
diferencial) quando somos pressionados por custos. Digo isto porque estou
liderando um projeto com este objetivo dentro da empresa e já estou
começando a expor os resultados.
GUIAcallcenter.COM: Muitas
pessoas, principalmente os meios de comunicação, reclamam das URAs. A
reclamação é em relação ao número excessivo de funções, sendo que, muitas
vezes, não há um caminho rápido (atalho) para a função desejada. Na sua
opinião, as empresas sabem utilizar de forma inteligente a URA?
EDISON NUNES (SKY):
Eu sou suspeito de falar,
pois gosto de auto-atendimento. Mas concordo que muitas vezes fica confuso
sim, pela quantidade de opções disponíveis e uso de uma fraseologia não
muito clara.
Existem mercados que já tem o hábito de uso do atendimento eletrônico mais
desenvolvido – como bancos e administradoras de cartão de crédito - , mas
são serviços que já foram construídos com este formato. Nestes o índice de
retenção de chamadas é alto.
Outros, como o de telefonia, a coisa se complica. Acho que isto ocorre em
virtude de uma infinidade de serviços novos foram agregados nos últimos
tempos só levando em conta o perfil de consumo dos usuários, e não a forma
como consomem.
Concordo que as opções devem ser simples na árvore inicial, e deve-se deixar
clara a opção de falar com atendentes, isto ainda no primeiro nível.
Vejo a
URA como uma alternativa a ser dada no atendimento, que apresenta grande
potencial para agilizar a vida das pessoas e evitar o risco de enfrentar
filas de espera, mas não acredito que venha a eliminar o atendimento
prestado por agentes.
Acho
que as empresas devem ofertar, sempre que possível, a mesma gama de serviços
nas duas modalidades de atendimento, e deixar a escolha ao usuário. De outro
modo você só aumenta a repulsa a esta modalidade de serviço.
Para
um serviço estável e confiável, ao incentivar o uso do auto-atendimento você
pode viabilizar para sua operação o tratamento de assuntos mais nobres
(casos em que o relacionamento é crucial para aumentar a rentabilidade, ou o
serviço tem uma veia muito técnica
GUIAcallcenter.COM:
Os
Call Centers, no geral, evoluíram muito na área de controle. Contudo, ainda
é necessário evoluir em um ponto estratégico: planejamento. Você concorda?
Qual a sua visão a respeito...?
EDISON NUNES (SKY): Concordo
sim. Nas plataformas tecnológicas e ferramentas de controle, caminhamos
bastante, mas acho que ainda estamos inconsistentes na gestão e foco de
resultados.
Atribuo parte da culpa ao próprio crescimento meteórico deste setor, onde
fomos recrutando internamente pessoas que demonstravam as habilidades para
uma atividade, mas não necessariamente tinham o perfil. Promovemos as
pessoas e não fizemos o dever de casa – desenvolvê-las para atender as
necessidades da empresa. E, nesta situação, ficamos com estes pontos
vulneráveis.
Digo
isto com a experiência de quem já encontrou profissionais que sabiam o
indicador pelo qual eram medidos, mas não tinham a menor noção de sua
influência.
Definir objetivos claros, e não saber no que isso implica, não funciona.
Como você busca melhorias? Como identifica seus ofensores? E a cada dia
somos cobrados por mais resultados!
Isto
se agrava bastante em empresas que crescem o suficiente para terem no seu
Call Center, além da(s) área(s) de Atendimento, uma área de Planejamento. Se
as duas áreas não andarem juntas, nada vai funcionar de maneira adequada. É
claro que as vezes os caminhos podem ser diferentes, mas o objetivo tem que
ser comum. Se o objetivo é comum, fica mais rica a discussão e o modo de
como atingir o resultado.
Uma
área de Atendimento que não foca nos seus resultados e não busca a melhoria
de sua performance é tão ruim quanto uma área de Planejamento que não
entende as necessidades da operação.
GUIAcallcenter.COM: Há
uma forte tendência para que a área operacional participe mais ativamente
dos negócios da empresa. Na área de seguros, por exemplo, há prêmios para o
pessoal do receptivo, que muitas vezes atende uma necessidade do cliente e,
percebendo a oportunidade, oferece algum produto/serviço agregado que seja
útil na visão do cliente. Como você visualiza este aspecto...? Vocês
caminham neste sentido?
EDISON NUNES (SKY):
Sou 100% de acordo com esta atitude. Isto é
o que falei acima sobre você aplicar o Call Center como uma ferramenta para
o seu negócio e extrair o melhor que sua força de trabalho pode dar –
devidamente capacitada e consciente de seus objetivos e métricas.
Isto também é uma oportunidade de aplicar
um modelo de BI, como o que estamos fazendo aqui na SKY. E para isto,
também, que estamos com este projeto.
Na SKY já estamos com esta preocupação e
nosso movimento é neste sentido.
GUIAcallcenter.COM: O
CRM foi, por algum tempo, uma onda que entrou de vez nos call centers. Na
sua opinião, as empresas utilizam este conceito (e ferramenta) de forma
eficiente...? Quais são as oportunidades de avanço nesta área...?
EDISON NUNES (SKY):
Não
conheço nenhum caso de implantação de sucesso, mas não acho que seja um
problema do conceito “CRM”. Acho que esta dificuldade passa pela dinâmica
das empresas e mercados. Para modelar um CRM você precisa criar uma base de
dados, com alguma estabilidade, afim de conceber a estratégia de
relacionamento.
Acredito que seja mais indicado começar com a construção do CRM Analítico,
que pode ser feita com o sistema transacional da maioria das empresas, de
forma a conhecer o comportamento de sua base de usuários e daí modelar e
reforçar as suas estratégias de relacionamento. É o que estamos tentando
fazer aqui na SKY, em nossa área, com o projeto do BI.
Daí
para frente, acho é possível avaliar mais a fundo a forma que um software de
CRM poderia ajudar
ou complementar o que já temos.
GUIAcallcenter.COM: Por
fim quais são suas "dicas" para um operador que está começando a carreira e
deseja um dia chegar ao patamar que você já alcançou...?
EDISON NUNES (SKY):
Se
você gosta e quer investir, mostre interesse, pois é um mercado com muitas
oportunidades e carências. Procure conhecer bem o que sua área faz, saiba
como você é avaliado e quais são os objetivos de sua área – não só
operacionalmente, mas como ela agrega valor ao negócio. Não espere que a
empresa promova sozinha seu desenvolvimento, invista em seu futuro.
Desenvolva sua auto-crítica, mas não deixe de ouvir quem está a seu redor
Acima de tudo, tenha como objetivo “mudar”,
pois fazer apenas o que o mercado faz não é diferencial.
GUIAcallcenter.COM:
EDISON, obrigado pela oportunidade.

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