GUIAcallcenter.COM: EDSON,
qual a sua formação acadêmica...? Como foi sua trajetória profissional até
chegar a sua atual posição...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Sou
formado em Processamento de Dados – Graduação e Pós-Gradução em Análise de
Projetos e Gestão em TI.
Atualmente, gerencio a área Operacional e Técnica do Contact Center da
AGF Brasil Seguros, sendo responsável pela operacionalização das
células de Vendas ou suporte a vendas, Pré-Vendas - que cada dia
mais é visto na Cia como uma área de negócios.
Também coordeno atividades de TI no que se refere à interpretação e tradução
das necessidades e definições estratégicas da empresa. Conseqüentemente,
busco e efetuo cotação junto ao mercado visando identificar fornecedores de
soluções Call Center e CRM (Sistema de Atendimento).
Quando estive na C&A - Banco IBI, atuei na coordenação da área de
Processos (revisão e implantação de rotinas operacionais), e ainda respondi
pela área de Tecnologia do ambiente do Call Center e do Telemarketing e por
último atuei em atividades de Coordenação da Operação e ainda como
responsável administrativo pela unidade.
Atuei no Grupo da Telefônica (Atento), onde gerenciei e
desenvolvi projetos que visavam disponibilizar as áreas de Customer
Service, Sac, soluções tecnológicas de ponta - elaboração de propostas
técnicas e comerciais, especificação de necessidades, acompanhamento e
suporte a desenvolvimento de sistemas, testes, homologação, implantação e
liberação em produção.
No
Banco Bradesco obtive experiência profissional nos níveis de chefia,
coordenação, e gerencia nas áreas relacionadas à Administração de Cartão
de Crédito e Telebanco, Contabilidade, Cobrança, Expediente onde
desempenhei as seguintes atividades.
GUIAcallcenter.COM:
Com esta experiência, o que você
considera como fatores críticos para o sucesso do Call Center -
considerando o seu segmento de atuação (seguros)...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
A experiência tem me
mostrado, que a principal meta de um gestor de Contact Center internalizado
que não sejam prestadores de Telemarketing, é efetuar a transformação de uma
área de custos para uma área de resultado, onde direto e/ou indiretamente a
área participe efetivamente no resultado da Cia.
Para tanto, há
necessidade primeiramente de um grande "aculturamento" da Cia. para quebrar
alguns paradigmas e conseqüentemente liberação e aprovação de investimentos
na área.
Num segundo momento,
precisamos trabalhar fortemente a gestão a quatro mãos com os responsáveis
pelos produtos, ou seja, definir os limites de atuação e as
responsabilidades, visando sempre a qualidade no atendimento.
Resumindo posso afirmar
que não é tarefa fácil mantermos um Contact Center internalizado, porém com
números, podemos provar que temos condição de atuar como uma importante área
de negócio.
GUIAcallcenter.COM:
No dia-a-dia como gestor,
quais são os indicadores de performance que você considera
importantes para a tomada de decisão...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Trabalhamos
na AGF indicadores um pouco diferenciados do mercado, sendo eles:
1) Nível de serviço sim,
porém priorizando a qualidade no atendimento e não a quantidade;
2) Tempo médio de
atendimento X quantidade de negócios fechados ou agendados por
operador/célula de vendas ou suporte a vendas;
3) Qualidade no
atendimento ao que se refere, principalmente no conhecimento do produto,
pois acreditamos que um bom atendimento, onde o segurado ou corretor sinta
total segurança nas informações prestadas, gera a diminuição na quantidade
de contato por um mesmo assunto para cada segurado ou corretor e
conseqüentemente aumentarmos a chance de fidelização e espaço para novos
negócios
Entre outros.
GUIAcallcenter.COM: Temos
notado que o "planejamento" é um fator que pode levar o Call Center
ao sucesso ou fracasso. Como vocês da AGF estabelecem o planejamento
do Call Center...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros): No
novo modelo da Cia, trabalhamos o planejamento anual e o revisamos
mensalmente - conforme necessidades dos gestores de negócio (clientes
internos) e mudanças de mercado.
Mensalmente geramos um "report" para
Diretoria e para os gestores de negócios de algumas de nossas células,
constando os números da área, o qual permite aos mesmos ter uma radiografia
da performance em relação ao projeto e ao futuro que, em algumas vezes,
apresentam-se de forma diferente da planejada inicialmente
Este alinhamento estratégico é traduzido
e repassado em doses certas a toda estrutura do Contact Center, a fim de
obtermos unidade na busca das metas, por meio dos gestores internos de
células ou grupos de atendimento.
GUIAcallcenter.COM: Há
uma forte tendência para se colocar no atendimento "pessoas mais maduras",
na faixa acima dos 35 anos. As empresas que estão trilhando este caminho,
dizem que os resultados são melhores, principalmente em relação ao nível de
absenteísmo. O que você acha desta tendência...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Aqui na AGF estamos sempre abertos para
inovações. Tivemos ótimos rendimentos também com pessoas maduras.
Para reforçar ainda a nossa postura com
relação a contratação, ou seja, a transparência e imparcialidade, atualmente
estamos também buscando trabalhar com deficientes físicos da mesma forma,
nas áreas de atendimento.
GUIAcallcenter.COM:
Verificamos que a relação "Call
Center - RH" é um ponto que necessita ser muito bem gerenciado. Em
algumas empresas, há conflitos "não resolvidos" que acabam interferindo na
gestão do Call Center. Como é esta relação na sua empresa...? Como vocês
administram os eventuais conflitos...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros): O
Contact Center e o RH como qualquer outro departamento, certamente possuem
objetivos e metas diferentes, porém em prol do objetivo principal da Cia.,
procuramos sempre atuar de forma cooperativa.
Temos aqui na AGF o RH como um dos
principais parceiros para viabilizarmos as células de negócios, pois
acreditamos que o nosso maior diferencial é o nosso colaborador
(funcionário).
Estamos evoluindo progressivamente nas
relações com o RH, a fim de garantirmos uma boa seleção de colaborados
(funcionários), e também para fortalecer com apoio total do RH o nosso
processo de treinamento e seleção.
GUIAcallcenter.COM: Como
é o "sistema de qualidade" de vocês...? Vocês têm uma equipe de
monitores...? Há o feedback online...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Monitoria é algo novo no nosso Contact
Center, pois não tínhamos estrutura para implementar até os meados do ano de
2004.
A partir deste ponto inauguramos a área
de monitoria com apenas 1 pessoa que é responsável por 4 monitorias por
atendente, sendo 70% gravação e 30% on-line.
Neste processo também os supervisores
ajudam com casos mais graves. Estamos crescendo gradativamente a
participação do supervisor, visando reforçar as monitorias on-lines e os
feed-backs graves.
Este processo ganhará neste ano
provavelmente uma área mais estruturada com mais um recurso, visando
alinhamento com necessidades de treinamento e incremento nos feed-backs e
nos on-lines.
GUIAcallcenter.COM: EDSON,
a área de Call Center é recente. Ainda não há cursos "oficiais" que formem
os profissionais, principalmente em nível de gestão (incluindo supervisores,
coordenadores e gerentes). Como vocês enfrentam este desafio...? Vocês têm
um programa de formação...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Trabalhamos
este processo dentro da Cia. das seguintes formas:
1) Tentamos buscar no
mercado profissional com experiência comprovada em atendimento;
2) Trabalhamos no
processo de treinamento inicial, técnicas de atendimento, tomando como base
experiências de profissionais internos como Supervisores e ainda buscamos
práticas do mercado e repassamos aos nossos calouros;
3) Dentro do possível
trabalhamos no planejamento de treinamento da Cia., cursos de mercados, como por exemplo excelência no atendimento, técnicas de vendas
por meio de Telemarketing e outros afins.
GUIAcallcenter.COM: Para
finalizar, quais as dicas que você acha importante para alguém que está
começando a carreira nesta área e deseja, um dia, chegar a sua posição...?
EDSON LOBO (AGF
Brasil Seguros):
Costumo
dizer que no ramo de Contact Center ou você gosta ou você detesta, pois
trata-se de uma área muito ampla e com transformações complexas e rápidas.
Para termos uma idéia,
trabalhar nesta área diferencia-se bastante de empresa para empresa e
principalmente de ramo para ramo
Para quem está iniciando
ou ainda para quem pretende se desenvolver nesta área, gostaria de enfatizar
alguns pontos básicos, porém importantes:
1)
Intercâmbios constantes com empresas do
segmento ou empresas que possuam área de atendimento, pois isto ajuda na
atualização de práticas, que mudam a cada hora;
2)
Participação em cursos e eventos do
segmento, sem discriminação, ou seja, precisamos conhecer de tudo um pouco,
Gestão de pessoas, Tecnologia, Administração de Contact Center entre outras
áreas, pois neste ramo somos forçados a ser profissionais Multiskil;
3) Alinhamento constante
as estratégias da Cia., visando navegação orientada a geração de negócios,
pois não há mais espaço para o Contact Center atuar somente como Gestão de
Reclamações;
4)
Estar preparado para atuar com dinamismo
e estar aberto para novos aprendizados, desafios e conhecimentos;
5) Por último, é
extremamente importante ter um bom relacionamento interpessoal, pois
constantemente está habilidade é utilizada, para negociar com funcionários
internos, fornecedores, prestadores, clientes, Superiores entre outros.
GUIAcallcenter.COM:
EDSON, obrigado pela oportunidade.

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